quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Didática da Cruz




Sobre o Servo Sofredor e Humilde 

“Amarram fardos pesados e os põe sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos nem com um dedo se dispõe a movê-los... Antes, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve, aquele que se exalta será humilhado, aquele que se humilha será exaltado” (Mt 23,4.11).

A palavra servo tem um claro entendimento quando colocada junto com as palavras sofrimento e humilhação. O servo verdadeiro é o que sofre cada humilhação para crescer na obediência a santíssima vontade de Deus. Servir é humilhar-se, é deixar de si mesmo e ir ao outro em um próprio esgotamento e aniquilação. Uma das maiores expressões de sofrimento na vida do servo deve ser justamente o diminuir, diminuímos e nos humilhamos, esquecendo até mesmo quem somos e nossa própria dignidade para conseguir cargos nas empresas, notas nas faculdades, visibilidade social, quando o auto abaixar-se é proposto as claras no Evangelho pelo Senhor Jesus causa espanto e indignação pelas almas não espirituais e que não gostam de compromissos com Deus.

Na didática da Cruz aprendemos que a santíssima humilhação de Jesus em sua Paixão teve início na Quinta Feira Santa quando Ele lavou os pés dos discípulos. Afirmou Jesus: “Um só é vosso mestre” (Mt 23,8), pois o divino mestre é o Cristo Jesus que ensina se colocando como exemplo, “Se, portanto, eu, o Mestre e Senhor vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13,14-15). Esse ato de abaixar significa ir até o pó da terra, até o outro que se encontra necessitado de Deus e de atenção, onde normalmente não queremos ir, fugimos do baixo, quem dirá do mais baixo, do esquecimento. É certo de que na servidão e no abaixar-se relembremos quem somos de verdade, pessoas necessitadas de Deus e do outro tão iguais aos que nós servimos no serviço a Deus. Na verdade somos pó.

O divino Mestre traz consigo a didática do “fazer em si”, se os fariseus colocavam fardos pesados sobre os ombros dos homens, Jesus faz o contrário, “... eram nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava” (Is 53,4). Não há outro a não ser Ele mesmo quem deve levar o peso dos pecados e perdoá-los. Tudo Jesus colocou sobre si, “Desde a planta dos pés até a cabeça, não há lugar são” (Is 1,6).

O verdadeiro servo de Deus se antecipa, o servo de Deus se humilha, o servo de Deus sofre, o servo de Deus sabe que ele nada é e que tudo é para a glória de Deus, a exemplo de Jesus: "Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a ti... Eu te glorifiquei na terra, completei a obra que me deste para fazer” (Jo 17,1.4)

Aprendamos ao contemplar o Crucificado, a didática da Cruz é um tesouro escondido.



Guilherme Teles, Fundador

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