A Semana Santa que se inicia com o DOMINGO DE RAMOS nos conduz liturgicamente a um mergulho neste amor sem medidas de Deus para com os homens. Jesus é aclamado rei dos judeus pelo povo reunido que o acolhe sentado em um jumentinho, com palmas nas mãos e com cânticos de exultação nos lábios. Em meio a Semana Santa não podemos nos enganar, naquela entrada triunfal em Jerusalém o santíssimo Coração do Senhor Jesus já começara a ser dilacerado, pois, aqueles que o aclamavam, ao passar dos dias exigiriam, aos gritos, sua morte.
Na semana mais importante do tempo litúrgico está inserido o TRÍDUO PASCAL, do qual quero me atentar com uma profundidade maior.
A QUINTA FEIRA SANTA (LAVA PÉS), é uma data litúrgica que se celebra a Instituição da Eucaristia e do sacramento da Ordem (o Sacerdócio de Cristo na Igreja). “... Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai...” (Jo 13,1), Jesus se rebaixa a condição de servo, lavando e enxugando os pés dos discípulos, “Então Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura” (Jo 13,4-5), ou melhor dizendo, de seus amigos, “Já não vos chamo de servos e sim de amigos” (Jo 13,15-15).
Na verdade, a santíssima humildade de Deus é revelada em toda vida de Jesus: sendo Deus assumiu em si mesmo a condição humana, nasceu em meio à pobreza do estábulo de Belém, viveu pobre e morreu pobre; sendo homem se rebaixa a alimento, aquilo se torna Aquele, o pão se torna seu Corpo, o vinho se torna Sangue; de fato, como diz São José Maria Escrivá: “A Eucaristia é uma invenção de amor”. Este tamanho desejo de permanecer junto aos seus amigos, chamasse amor, e por amor Jesus nos presenteia instituindo o sacramento Eucarístico e seu sacerdócio na Igreja, para que sempre se faça memória, no sentido oriental da palavra, que é tornar atual ou atualizar, memória de sua Paixão, Morte e Ressurreição em cada Santa Missa, em cada vez que ouvirmos as benditas palavras do Cristo Jesus nos lábios de seus Padres: “Isto é o meu Corpo... Este é o cálice do meu Sangue...” (1 Cor 11,24-25).
Três Cravos uniram Jesus ao Madeiro da Cruz, um vazou seus dois pés, outro sua mão direita e o ultimo sua mão esquerda. Muito era exigido de Jesus para respirar, falar, olhar, ouvir e entender devido ao cansaço e o esgotamento, SOMENTE O SENTIR CONTINUOU O MESMO, ELE SENTIU TUDO, TODA A DOR, DA MAIOR ATÉ A MENOR, EMBAIXO E SUSPENSO NA CRUZ. Sentiu a solidão do abandono dos amigos, daqueles que caminharam três anos com Ele; sentiu o peso do julgamento daqueles que na verdade eram os culpados; sentiu os escarros, os ultrajes, os olhares; sentiu os golpes, todos eles. Jesus sente até hoje a indiferença com que sua santíssima Paixão é tratada, principalmente pelos católicos que utilizam esta data para bagunças e pecados ao invés de voltarem o coração ao Deus que muito os ama.
O Sábado de Aleluia se divide em dois mistérios, o silêncio da morte e a feliz espera. Afirma São Paulo: “... Jesus morreu por nossos pecados segundo as Escrituras. Ele foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras”, (1 Cor 15,3-4). A morte é algo que ninguém pode escapar, Jesus quis passar por esta experiência, quis descer até a mansão dos mortos para buscar Adão. Enquanto a terra se entristece, os que já haviam morrido descobrem que os frutos do sacrifício de Jesus não é a morte e sim a vida eterna. A espera desta vida que somente Jesus pode nos dar marca o fim deste dia santo, porque na noite do Sábado Santo, nos alegraremos com a Ressurreição de Jesus na Vigília Pascal onde cantaremos glória e aleluia, unidos a Igreja celeste, a Virgem Maria, Anjos e Santos. Cantaremos um “Canto novo” (Sl 95), alegres porque Aquele que esteve morto agora está vivo, ressurgiu triunfante, nos deu a vitória sobre o pecado e sobre a morte e nos abriu as portas para a vida eterna, para o Céu tão belo.
Qual nosso merecimento em meio a tanto amor de Deus? A resposta não é tão difícil de encontrar e é a seguinte: NENHUM MERECIMENTO. Esta verdade do não merecimento do homem até espanta. São Paulo afirma que “Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer em favor de um justo; talvez haja alguém que tenha coragem de morrer por um homem de bem. Mas Deus demonstra seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,7-8), eis a verdade sobre o amor, tão mal interpretado nos dias de hoje: O AMOR SE ANTECIPA AOS MERECIMENTOS DO OUTRO, quem ama somente ama, dispensa amor abundantemente, o amor nada retém, pelo contrário, se dá, sem obrigações de se dar ou de amar, livremente ama como Jesus o fez na Semana Santa: “Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai" (Jo 10,18).
Guilherme Teles, Fundador.

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